Se for a um restaurante junto ao mar da
Galileia, talvez fique curioso ao ver no
cardápio: “peixe de São Pedro”. Possivelmente o empregado dirá que é um
dos pratos mais populares, principalmente entre os turistas. É uma delícia comê-lo assim que é frito.
Mas que tem ele a ver com o apóstolo Pedro?
A resposta está em num incidente descrito
na Bíblia, no capitulo 17 de S. Mateus: «Entrando em
Cafarnaúm, aproximaram-se de Pedro os cobradores do imposto do templo e
disseram-lhe: «O vosso Mestre não paga o imposto?» Ele respondeu: «Paga, sim».
Quando chegou a casa, Jesus antecipou-se, dizendo: «Simão, que te parece? De
quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos
estranhos?» E como ele respondesse: «Dos estranhos», Jesus disse-lhe: «Então,
os filhos estão isentos. No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar,
deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e
encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti.»
O nome “peixe de São Pedro” tem origem nesse
episódio descrito na Bíblia.
Mas que tipo de peixe Pedro apanhou?
Acredita-se que apenas 10 das quase 20
espécies de peixe encontradas no mar da Galileia poderiam ser do tipo que S. Pedro
apanhou. Essas dez dividem-se em três grupos de importância comercial.
O grupo maior é chamado musht (Tilapia
galilea), que significa “pente”, em árabe, porque as suas cinco espécies
têm uma barbatana dorsal semelhante a um pente. Certa variedade de musht chega
a atingir 45 centímetros e pesa cerca de 2 quilos.
O segundo grupo é o da sardinha do Quinerete (mar da Galileia), que se
assemelha a um arenque pequeno. Na época alta da sardinha, pescam-se muitas toneladas
por noite, chegando a mil toneladas por ano. Desde a antiguidade, guarda-se
essa sardinha em conserva.
O terceiro grupo é o biny, também
conhecido como barbo. As três espécies apresentam barbilhões nos cantos da
boca, origem do nome semítico biny, que significa “cabelo”. Alimenta-se
de moluscos, caracóis e peixes pequenos. O barbo de cabeça longa pode atingir
75 centímetros e pesar cerca de 7 quilos. Os barbos são peixes
carnudos e constituem um prato popular para os sábados e para as festividades judaicas.
Nos três grupos de importância comercial
não está incluído o peixe-gato — o maior peixe do mar da Galileia, que
chega a medir 1,20 metro e a pesar 11 quilos. Mas o peixe-gato não tem
escamas, assim era impuro de acordo com a Lei mosaica. (Levítico 11, 9-12)
Portanto, os judeus não o comem, e não deve ser o tipo de peixe que Pedro
apanhou.
Que
peixe terá pescado S. Pedro?
O musht em geral é aceite como o
“peixe de São Pedro” e é servido assim nos restaurantes perto do mar da Galileia.
Tendo poucas espinhas pequenas, é fácil de preparar e de comer. Mas é esse
mesmo o peixe que Pedro apanhou?
Mendel Nun, autoridade altamente respeitada em peixes da região, é um pescador que
mora à beira do mar da Galileia há mais de 50 anos. Ele chama atenção para
o seguinte: “O musht alimenta-se de plâncton e não é atraído por outro
tipo de comida. Portanto, é apanhado com redes, não com anzol e linha.” É assim
um improvável candidato.
Mais improvável ainda é a sardinha,
porque é muito pequena para ser considerada o peixe de São Pedro. P que
restringe as probabilidades ao barbo, que alguns consideram a melhor escolha
para o título de “peixe de São Pedro”. Nun
observou: “Desde tempos imemoriais, os pescadores [do mar da Galileia] usam
anzol e isco de sardinha para pescar barbos, predadores que se alimentam no
fundo do mar.” Ele conclui dizendo que é “praticamente certo que Pedro apanhou
um barbo”.
Então, por que é que o musht é servido como “peixe de São Pedro”?
Nun responde: “Só há uma explicação para
a confusão na troca de nomes. Era bom para o turismo! O facto de virem
peregrinos de regiões distantes, terá levado a dar o nome de ‘peixe de São
Pedro’ ao musht servido nas primeiras estalagens à beira do lago, dado
ser o peixe mais popular e de fácil preparação”
Embora não possamos declarar com absoluta
certeza qual o peixe que S. Pedro pescava, você vai provavelmente achar um
prato delicioso, seja qual for o peixe que lhe sirvam como “peixe de São
Pedro”.
(Adaptado de http://wol.jw.org/pt)

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