20 de Dezembro de 2015
EVANGELHO – Lc
1,39-47
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias,
Maria pôs-se a
caminho
e dirigiu-se
apressadamente para a montanha,
em direcção a
uma cidade de Judá.
Entrou em casa
de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel
ouviu a saudação de Maria,
o menino
exultou-lhe no seio.
Isabel ficou
cheia do Espírito Santo
e exclamou em
alta voz:
«Bendita és tu
entre as mulheres
e bendito é o
fruto do teu ventre.
Donde me é
dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade,
logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua
saudação,
o menino
exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada
aquela que acreditou
no cumprimento
de tudo quanto lhe foi dito
da parte do
Senhor».
AMBIENTE
O texto que
nos é proposto faz parte do chamado “Evangelho da Infância”. Os estudos actuais
falam do “Evangelho da Infância” como um género literário especial, que se pode
chamar “homologese”: é um género que não pretende ser um relato fidedigno sobre
acontecimentos, mas antes uma catequese destinada a proclamar as realidades
salvíficas que a fé prega sobre Jesus (que Ele é o Messias, o Filho de Deus, o
Deus connosco). Desenvolve-se em forma de narração e recorre às técnicas do
midrash haggádico (uma técnica de leitura e de interpretação do Antigo
Testamento usada pelos rabbis judeus na época em que foi escrito o Novo
Testamento).
A “homologese”
utiliza, de preferência, tipologias: factos e pessoas do Antigo Testamento
encontram a sua correspondência em factos e pessoas do Novo Testamento. Pelo
meio, misturam-se elementos apocalípticos (aparições, anjos, sonhos),
destinados a fazer avançar a narração e a explicitar as ideias teológicas e a
catequese sobre Jesus. É esta mistura de elementos que podemos encontrar no
Evangelho de hoje: mais do que uma informação “jornalística” sobre factos
concretos, trata-se de uma catequese sobre Jesus, feita a partir de um conjunto
de referências tiradas da mensagem e das promessas do Antigo Testamento.
MENSAGEM
A primeira
referência vai para a indicação de que, à saudação de Maria, o menino (João
Baptista) saltou de alegria no seio da mãe. Trata-se, evidentemente, de uma
indicação teológica: para Lucas, Jesus é
o Deus que vem ao encontro dos homens, e que tem uma mensagem de
salvação/libertação que concretiza as promessas feitas por Deus aos
antepassados; logo, a presença de Jesus provoca a alegria, o estremecimento
gozoso de todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus e que
vêem na chegada de Jesus a
realização das promessas de um mundo de justiça, de amor, de paz e de
felicidade para todos os homens. Através de Jesus, Deus vai oferecer a salvação
a todos; e isso provoca um estremecimento incontrolável de alegria, por parte
de todos os que anseiam pela concretização das promessas de Deus.
Temos, depois,
a resposta de Isabel à saudação de
Maria: “Bendita és tu entre as mulheres”.
Trata-se de palavras que aparecem no “cântico de Débora” (cf. Jz 5,24) para
celebrar Jael, a mulher que, apesar da sua fragilidade, foi o instrumento de
Deus para libertar o Povo das mãos de Sísera, o opressor. Maria é, assim, apresentada – apesar da sua fragilidade – como o
instrumento de Deus para concretizar a salvação/libertação dos homens.
Finalmente,
temos a resposta de Maria: “a minha alma
enaltece o Senhor…”. A resposta de Maria
retoma um salmo de acção de graças (cf. Sl 34,4), destinado a dar graças a Jahwéh porque protege os humildes e os
salva, apesar da prepotência dos opressores. É um salmo de esperança e de
confiança, que exalta a preocupação de Deus para com os pobres que são vítimas
da injustiça e da opressão. Sugere-se, claramente, que a presença de Jesus,
através dessa mulher simples e frágil que é Maria, é um sinal do amor de Deus, preocupado em trazer a
libertação a todos os que são vítimas da prepotência e da injustiça dos homens.
Com Jesus, chegou esse tempo novo de libertação, de paz e de felicidade
anunciado pelos profetas.
(In, www.dehonianos.org)

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