quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

"Regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto"

EVANGELHO – Lc 2, 16-21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém
e encontraram Maria, José
e o Menino deitado na manjedoura.
Quando O viram,
começaram a contar o que lhes tinham anunciado
sobre aquele Menino.
E todos os que ouviam
admiravam-se do que os pastores diziam.
Maria conservava todos estes acontecimentos,
meditando-os em seu coração.
Os pastores regressaram,
glorificando e louvando a Deus
por tudo o que tinham ouvido e visto,
como lhes tinha sido anunciado.
Quando se completaram os oito dias
para o Menino ser circuncidado,
deram-Lhe o nome de Jesus,
indicado pelo Anjo,
antes de ter sido concebido no seio materno.


AMBIENTE
O texto do Evangelho de hoje é a continuação daquele que foi lido na noite de Natal: após o anúncio do “anjo do Senhor” (noite de Natal), os pastores dirigem-se a Belém e encontram o menino. Mais uma vez, Lucas não está interessado em fazer a reportagem do nascimento de Jesus e das “visitas” que, então, o menino de Belém recebeu, mas antes em apresentar Jesus como o libertador, que veio ao mundo com uma mensagem de salvação para todos os homens – e, especialmente, para os pobres e marginalizados, aqui representados pela classe dos pastores.

Belém Campo dos Pastores


MENSAGEM
Os pastores – classe marginalizada de “pecadores”, afastados da salvação de Deus – são os primeiros a quem se revela a boa notícia do nascimento de Jesus. Todo o texto gira à volta da apresentação de Jesus como o Messias libertador, o autêntico libertador dos débeis e dos pobres.

Em primeiro lugar, repare-se como os pastores se dirigem “apressadamente” ao encontro do menino. A palavra “apressadamente” sublinha a ânsia com que os pobres e débeis esperam a acção de Deus em seu favor. Aqueles que vivem numa situação intolerável de sofrimento e de opressão reconhecem que, com Jesus, chegou o momento da libertação e apressam-se a ir ao seu encontro.

Em segundo lugar, repare-se na forma como os pastores reagem ao encontro com Jesus: glorificam e louvam a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido: é a alegria pela libertação que se converte em acção de graças ao Deus libertador. Também se tornam porta-vozes desse anúncio libertador, provocando a admiração de quantos tomavam contacto com o seu testemunho.

Finalmente, atentemos na atitude de Maria: ela “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”. É a atitude de quem é capaz de abismar-se com as acções do Deus libertador, com o amor que Ele manifesta nos seus gestos em favor dos homens. “Observar”, “conservar” e “meditar” significa ter a sensibilidade para entender os sinais de Deus e ter a sabedoria da fé para saber lê-los à luz do plano de Deus. É precisamente isso que faziam os profetas.


A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda os acontecimentos, complementa a atitude “missionária” dos pastores, que proclamam a acção salvadora de Deus manifestada no nascimento de Jesus. Estas duas atitudes dão-nos um bom retrato daquilo que deve ser a existência crente.

(In, www.dehonianos.org)

sábado, 26 de dezembro de 2015

«Porque Me procuráveis?»

Festa da Sagrada Família
27 de Dezembro de 2015


EVANGELHO – Lc 2,41-52

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

“Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém,
pela festa da Páscoa.
Quando Ele fez doze anos,
subiram até lá, como era costume nessa festa.
Quando eles regressavam, passados os dias festivos,
o Menino Jesus ficou em Jerusalém,
sem que seus pais o soubessem.
Julgando que Ele vinha na caravana,
fizeram um dia de viagem
e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos.
Não O encontrando,
voltaram a Jerusalém, à sua procura.
Passados três dias,
encontraram-n’O no templo,
sentado no meio dos doutores,
a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas.
Todos aqueles que O ouviam
estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas.
Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados;
e sua Mãe disse-Lhe:
«Filho, porque procedeste assim connosco?
Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».
Jesus respondeu-lhes:
«Porque Me procuráveis?
Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?»
Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse.
Jesus desceu então com eles para Nazaré
e era-lhes submisso.
Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.
E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça,
diante de Deus e dos homens.”


AMBIENTE
O Evangelho que nos é proposto é o final do “Evangelho da infância” de Lucas. Ora, já sabemos que a finalidade do “Evangelho da infância” não é fazer uma reportagem sobre os primeiros anos da vida de Jesus, mas sim fazer catequese sobre Jesus; nessa catequese, diz-se quem é Jesus e apresentam-se algumas coordenadas teológicas que vão, depois, ser desenvolvidas no resto do Evangelho.

O Menino entre os Doutores - Albrecht Durer


A “catequese” de hoje situa-nos em Jerusalém. A Lei judaica pedia que os homens de Israel fossem três vezes por ano a Jerusalém, por alturas das três grandes festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Festa das Cabanas – cf. Ex 23,17-17). Ainda que os rabinos não considerassem obrigatória esta lei até aos treze, muitos pais levavam os filhos antes dessa idade. Jesus tem doze anos e, de acordo com o texto de Lucas, foi com Maria e José a Jerusalém celebrar a Páscoa.

É neste ambiente de Jerusalém e do Templo que Lucas situa as primeiras palavras pronunciadas por Jesus no Evangelho. Elas são, sem dúvida, o centro do nosso relato.


MENSAGEM
A chave deste episódio está, portanto, nas palavras pronunciadas por Jesus quando, finalmente, se encontra com Maria e José: “porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”

O significado (a catequese) da resposta à pergunta de Maria é que Deus é o verdadeiro Pai de Jesus. Daqui deduz-se que as exigências de Deus são, para Jesus, a prioridade fundamental, que ultrapassa qualquer outra exigência. A sua missão – a missão que o Pai Lhe confia – vai obrigá-l’O a romper os laços com a própria família (cf. Mc 3,31-35).

É possível que haja ainda, aqui, uma referência à paixão/morte/ressurreição de Jesus: tanto o episódio de hoje, como os factos relativos à morte/ressurreição, são situados num contexto pascal; em ambas as situações Jesus é abandonado – aqui por Maria e José e, mais tarde, pelos discípulos – por pessoas que não compreendem que a sua prioridade é o projecto do Pai; em ambas as situações, Jesus é procurado (cf. Lc 24,5) e tem de explicar que a finalidade da sua vida é cumprir aquilo que o Pai tinha definido (cf. Lc 24,7.25-27.45-46). Lucas apresenta aqui a chave para entender toda a vida de Jesus: Ele veio ao mundo por mandato de Deus Pai e com um projecto de salvação/libertação. Àqueles que se perguntam porque deve o Messias percorrer determinado caminho, Lucas responde: porque é a vontade do Pai. Foi para cumprir a vontade do Pai que Jesus veio ao nosso encontro e entrou na nossa história.


Atente-se, ainda, em duas questões um tanto marginais, mas que podem servir também para a nossa reflexão e edificação: em primeiro lugar, reparemos no entusiasmo que Jesus tem pela Palavra de Deus e pelas questões que ela levanta; em segundo lugar, a “declaração de independência” de Jesus pode ajudar-nos a compreender que a família não é o lugar fechado, onde cada pessoa cresce em horizontes limitados e fechados, mas é o lugar onde nos abrimos ao mundo e aos outros, onde nos armamos para partir à conquista do mundo que nos rodeia.

sábado, 19 de dezembro de 2015

“O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz; sobre os que habitavam numa terra de trevas brilhou uma luz” (Is. 9,1).


Machado de Castro - Basílica da Estrela - Lisboa



“O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz; 
sobre os que habitavam numa terra de trevas brilhou uma luz” (Is. 9,1).


Estamos a viver um tempo difícil, no qual se sucedem tragédias e violências que nos enchem de medo. A descrição do fim dos tempos que a Liturgia nos propõe antes da vinda do Senhor (Mc 13, 24-32), parece o eco de uma crónica atual, que faz com que seja difícil esperar um Natal com sentimentos de alegria, festa e vida. O medo parece comandar o nosso agir, mesmo nas pequenas acções quotidianas. Sobretudo, temos medo do outro, como se tivéssemos perdido a coragem de acreditar no outro. Não se confia mais no outro, somos tentados a fechar-nos no nosso pequeno mundo. Temos medo do muçulmano, do judeu, do oriental ou do ocidental, depende de onde nos encontramos. O Inimigo tornou-se “o outro”; pensamos que “os outros” estão contra nós, que nos ameaçam e nos roubam a esperança de um mundo seguro, de um futuro melhor. 

Na Síria, no Iraque, na Terra Santa, no Oriente e no Ocidente, parece que a força da violência é a única voz possível para enfrentar a violência que nos ameaça.

Esperar o Natal nessas circunstâncias interroga a nossa fé e faz nascer a necessidade de uma esperança maior. São esses os sentimentos que nos acompanharam ao participar de várias celebrações: a elevação da árvore do Natal e a bênção do presépio. Muitas vezes, durante a celebração da festa, ouviam-se sirenes, sinais evidentes de desencontros e desordens. E sentíamos uma sinal de inadequação, em relação àquela situação difícil. Parecia que estávamos fora do tempo e da história.

Mas não é assim. O evangelho diz-nos que a plenitude do tempo se realizou num tempo difícil, quando João, no deserto, convidava a preparar a Via do Senhor e pregava um baptismo de conversão. A festa, as luzes, as cores, apesar de necessárias e desejadas, celebradas nas circunstâncias em que vivemos, levam-nos a pensar com mais verdade sobre o sentido originário do Natal: o Deus que entra no nosso tempo e na nossa história. No nosso tempo e na nossa história de hoje.

O Natal diz-nos que Deus ama a vida, que Ele mesmo é vida. Esta verdade é o motivo definitivo e bom para estarmos nesta terra. Porque é tempo para buscar motivações autênticas, razões últimas para continuar a viver e a esperar. Razões e motivações que permaneçam, que se mantenham, que não sofram as fases inseguras das nossas angústias ou das nossas exaltações, que tenham um sabor de justa medida, de horizonte real. É tempo de buscar perguntas e respostas,de orientações, de achar o Oriente.

E esse Oriente é Cristo, Homem e Deus. O Natal convida-nos, portanto, a esse Oriente.

O Natal diz-nos que a nossa vida é Advento, que caminhamos rumo a um futuro, talvez dramático, cansativo, mas no qual – é certo – O encontraremos. O Natal diz-nos que esse futuro, pelo qual tanto nos preocupamos, esse futuro que agora se inicia, já se iniciou: é Jesus nascido, morto e ressuscitado.

Não caminhamos rumo ao nada, rumo ao desconhecido, rumo ao escuro, mas rumo a algo que já aconteceu e que permanece, que se realiza sempre e de qualquer modo, que não podemos destruir nem se quiséssemos. Caminhamos rumo a um encontro.

Então, este tempo difícil será um tempo bom, restituir-nos-á a certeza de que é tempo de encontro; tornar-nos-á - finalmente – necessitados de alguma coisa que seja diferente de nós, tornar-nos-á mais atentos a quem é nosso vizinho, porque o futuro, rumo ao qual caminhamos, só poderá ser o cumprimento de todas as relações pelas quais tenhamos tido cuidado, aqui, agora. Também nestas circunstâncias dramáticas.

Meus votos de Natal, neste ano, são os de percorrer com confiança essa estrada aberta no deserto de tantas das nossas vidas, rumo a esse futuro bom, que possui um semblante único: o da misericórdia do Pai, que sempre nos escuta, com fidelidade, também hoje. 

Feliz Natal!


Fr. Pierbattista Pizzaballa, OFM

Reverendo Custódio da Terra Santa

Histoire du monastère de l'Emmanuel



Histoire du monastère de l'Emmanuel


L'histoire de notre communauté débute en Algérie, au monastère des bénédictines de Médéa, fondé en 1945. C'est là que nos fondatrices se formèrent à la vie monastique. L'entourage était à majorité  arabo-musulman, et la communauté avait alors adopté le style de vie locale et priait en partie en arabe.

En 1954, l'archevêque melkite de Galilée, Monseigneur Georges Selim Hakim, qui deviendra en 1967 le Patriarche Maximos V,  vint en visite à Médéa. Il nous parla de la chrétienté arabe de Terre Sainte et de son désir d'y fonder un monastère de rite byzantin, pour répondre au besoin spirituel de l'importante communauté de fidèles mellites.

En effet, la vie monastique melkite bien présente au Liban, Syrie, Jordanie ou Egypte, était cependant quasi absente de Terre Sainte. Or, dans l'Eglise d'Orient, le monastère est réellement au cœur de la vie ecclésiale: lieu de ressourcement, mais aussi d'instruction de la foi, il est un ferment de vie et de renouveau pour le diocèse. Dans l'Eglise indivise, l'assistance et la participation aux différents offices liturgiques était la condition de la formation des fidèles et à plus forte raison des catéchumènes. En effet, les parties hymniques de l'office byzantin à forte teneur dogmatique ont été composées dans le mouvement des sept premiers conciles et en reflètent la lumineuse théologie.

La visite de l'Archevêque nous ouvrit donc soudainement à la réalité de l'existence d'une chrétienté arabe en pleine expansion, et mère François d'Assise, prieure du monastère bénédictin de Médéa, décida  de répondre à cet appel, et d'envoyer trois d'entre nous se former au Liban avant de gagner la Terre Sainte. Lors d'un premier voyage de reconnaissance, mère François d'Assise découvrit la présence dans la région des Petites sœurs de Jésus et des AFI, également insérées dans l'Eglise melkite. Une famille de Bethléem nous proposa un large terrain sur le versant d'une des collines entourant celle de la grotte de la Nativité, avec un panorama sans fin sur la vallée du Jourdain et les monts de Moab... Le monastère prendrait le nom d' «Emmanuel», «Dieu est avec nous».

Le 23 décembre 1963, la première liturgie orientale fut célébrée dans la petite chapelle du monastère. Quelques jours plus tard, lors du pèlerinage historique à Jérusalem de SS Paul VI, d'heureuse mémoire, le baiser de paix échangé avec S.S le patriarche de Constantinople, Athénagoras faisait vibrer Jérusalem de l'immense espoir de voir se réaliser l'unité tellement désirée entre les Eglises-sœurs. Le monastère vit ainsi se confirmer son appel à la prière pour l'unité des chrétiens, si cher à l'Eglise melkite dont il faisait désormais partie. Le 10 mars 1965, SB le Patriarche Maximos IV Saïgh procédait à l'érection canonique du monastère: «Désormais, vous appartenez à notre Eglise qui désire aussi rayonner Notre Seigneur malgré sa pauvreté et son petit nombre. Nous travaillons pour l'Unité de l'Eglise, c'est très grand, cela demande beaucoup de grâces et peut rencontrer bien des obstacles. Mais ayons courage, la Crèche a vaincu les trônes des rois.»[1]

Tout en étant clairement inséré dans l'Eglise melkite, le monastère bénéficia d'un indult lui permettant de demeurer dans la Congrégation bénédictine de la Reine des Apôtres, à laquelle la fondation naissante appartenait. Saint Benoît en effet, est un saint de l'Eglise indivise et à ce titre il est également vénéré dans l'Eglise d'Orient qui tient sa Règle monastique en grande estime parmi celles d'autres Pères orientaux, tels saint Basile ou saint Théodore Studite. La spiritualité bénédictine demeure donc pour nous une richesse qui nous incite à approfondir les racines orientales du mouvement monastique : saint Benoît lui-même, à la fin de sa Règle, ne renvoie-t-il pas aux écrits des premiers Pères du Désert et de saint Basile? «Les Conférences des Pères, leurs Institutions et leurs Vies, ou la Règle de notre bienheureux Père saint Basile, que sont-elles sinon des instruments de vertu, légués par des moines courageux et obéissants?»[2]

Moniales orientales de l'Eglise melkite tout en demeurant à part entière membres de la Congrégation bénédictine de la Reine des Apôtres, nous cherchons à vivre concrètement de ce grand idéal exprimé au Concile Vatican II par feu Sa Béatitude le Patriarche Maximos IV, à savoir d'être pont entre l'Orient et l'Occident. Le soutien fidèle de notre Congrégation nous a permis de traverser les nombreuses vicissitudes que connut la Palestine ces dernières années.

Dès leur arrivée, nos sœurs, alors au nombre de trois, se lancèrent dans un immense travail de traduction, lecture, recherche et contacts avec des moines et moniales orthodoxes et catholiques spécialistes de l'Orient chrétien comme les pères Dusing, Rochkau, Serima, Corbon, ainsi que les bénédictins de Montserrat qui, à la suite d'un appel de S.S.Paul VI, assuraient une présence monastique au centre œcuménique de Tantour, voisin du monastère.

Les contacts avec nos frères orthodoxes étaient alors nombreux et profitaient du réchauffement des relations opérées par la visite du Pape et l'événement du Concile. La vie au monastère encore  perdu au milieu des oliveraies et que l'on rejoint par un petit chemin de terre, était très simple, et le quotidien tissé par la récitation de l'office byzantin en arabe, les temps de solitude, de travail, d'oraison, et les contacts avec les voisins arabes chrétiens. Les sœurs furent aidées par la congrégation qui leur envoya en renfort les bras et les têtes nécessaires à la construction et la bonne marche de la maison. Une quatrième sœur destinée à rester à Bethleem arriva en 1967 et le 2 mai 1980, les quatre professes fondatrices issues de Médéa fixèrent leur stabilité à monastère de l'Emmanuel, en juillet, suivies d'une professe du Portugal, ermite au monastère depuis 1975. 

L'année suivante, un indult de Rome autorisa les professes de l'Emmanuel à recevoir les insignes de la consécration du microschème[3], devenant ainsi pleinement moniales selon le rite byzantin. Le lendemain de cette cérémonie, le 6 février 1982, la première novice, sr Mariam-Ibrahim, devenait rasophore[4]. Ce changement vestimentaire marquait une nouvelle étape vers l'Orient. Mais le gros travail de ces années fut aussi la rédaction du Typikon[5] du monastère qui intègre l'héritage de Saint Benoît, mais aussi celui des Pères orientaux. Les parties juridiques sont conformes au code des canons des rites orientaux et aux statuts de la congrégation de la Reine des Apôtres



La première version du Typikon est approuvée ad experimentum pour 7 ans le 30 juillet 1984, ce qui permit à notre sœur ermite, de recevoir le mégaloschème[6] en la fête de St Sabbas (Père des moines du désert de Judée) et à notre première rasophore, Sr Mariam-Ibrahim, de recevoir la consécration du microschème. D'autre part, Sr Mariam Ibrahim confirma et intensifia la participation de la communauté au grand mouvement de renouveau dans l'Esprit Saint qui jaillit au cœur de l'Eglise protestante et catholique dans les années 1970 et 1980. 

Elle avait en effet largement contribué à sa diffusion en Belgique après avoir rencontré des groupes charismatiques aux Etats Unis. Le monastère devint alors une étape pour  de nombreux pèlerins et un petit groupe de prière se forma avec quelques unes de nos voisines. Peu de temps après sa profession, Sr Mariam Ibrahim offrit sa vie pour l'Unité de l'Eglise  et tomba malade. Le 29 mai 1986, elle retournait au Père. Le grain était semé en terre, la moisson lèverait un jour.

La période de fondation s'acheva avec l'approbation définitive du Typikon de notre monastère le 15 octobre 1994 et la bénédiction de notre première higoumène.
Les principaux traits de notre vocation sont l'insertion dans la grande tradition monastique des Pères de l'Eglise indivise, et dans l'Eglise melkite, la vie de renouveau  dans l'Esprit, les liens de fraternité avec notre voisinage arabe, la prière pour l'unité des chrétiens, l'accueil de pèlerins de toute confession, mais  aussi de retraitants  grâce à une petite hôtellerie.

Depuis, notre communauté, bien que toujours petite, se développe et la Divine Providence nous encourage de ses signes. Nos anciennes sont toujours avec nous dans l'aventure, et des jeunes nous ont rejointes. Nos sœurs ont traversé depuis 1967, guerres et intifadas. Aujourd'hui, la Terre Sainte demeure déchirée. Cette réalité de souffrance et d'enfermement nous plonge au cœur du drame de l'histoire humaine, et le nom d'Emmanuel «Dieu avec nous», discerné dès les premiers temps de la fondation, se charge d'un appel particulier à demeurer des cœurs brûlants d'amour, ouverts à tous: pèlerins, amis de toutes confessions.

La prière liturgique régulière est un lieu de réel ressourcement et de rencontre avec le Seigneur pour ceux de notre entourage. Des liens très forts se sont tissés avec les familles éprouvées de notre voisinage. Nous aimons accueillir des religieux, séminaristes du diocèse en retraite, et leur faire découvrir ou approfondir la richesse de notre rite oriental.

Des amis protestants nous ont encouragées à nous rassembler chaque jeudi soir, dans une prière pour l'unité des chrétiens, autour de la lecture des derniers discours de Jésus à ses disciples, après leur avoir lavé les pieds (Jn 13-17) : «Père qu'ils soient un, comme nous sommes un».

Nous sommes dépourvues de tout moyen logistique d'envergure. Notre témoignage est essentiellement présence. Mais cette présence chrétienne est importante, parce qu'elle est à sa petite mesure, la garantie d'un Proche-Orient multicolore, dont la clef d'unité n'est pas la violence mais la convivialité. La chrétienté en Orient est déjà en elle-même représentative de l'heureuse diversité des confessions chrétiennes (toutes sont rassemblées à Jérusalem: orthodoxes grecs, russes, syriens, coptes, arméniens, éthiopiens ; réformés; anglicans ; latins, etc). Elle est donc un témoignage en soi que l'amour et l'acceptation de l'autre dans le respect de sa liberté religieuse ou sociale, est l'unique remède à la guerre et aux conflits qui secouent la région depuis des décennies. L'enracinement séculaire de la chrétienté en Occident, prédispose les chrétiens d'Orient, insérés dans des milieux à majorité musulmane, à être un pont de compréhension entre Occident et Orient, à combler le grand manque de confiance subsistant entre eux. Si la présence chrétienne s'éteint en Orient, qui témoignera à leur place que la convivialité est possible avec nos frères musulmans? Et qui témoignera en retour à nos frères musulmans d'Orient, l'ouverture de l'Occident et sa solidarité à leur égard? «La convivialité est l'avenir de l'humanité et du Proche-Orient. Cela signifie la rencontre de l'homme avec son frère et tout humain. C'est le dialogue des civilisations et des cultures, et de la foi entre tous les fils et toutes les filles de la foi» [7]. Par notre présence, nous voulons aider les chrétiens de Terre Sainte à prendre conscience de la beauté de leur propre vocation. Priez pour nous.


[1] Extrait de l'Homélie de Sa Béatitude Maximos IV Sayegh lors de l'érection du Monastère de l'Emmanuel, le 10 mars 1965
[2] Règle de saint Benoît, LXXIII
[3] Microschème : petit habit, c'est le nom de la profession monastique des cénobites. Ses insignes sont la paramandias (petit carré de tissu où sont brodés tous les instruments de la Passion ; il se porte sur le dos et il est tenu au moyen de cordons se croisant sur la poitrine), la croix pectorale en bois la tunique noire, la ceinture de cuir, le mandia (grand manteau sans manche qui couvre tout le corps ; le tissu est plissé 33 fois dans le dos ; il est porté aux grandes fêtes), le voile noir, les sandales, le chapelet de Jésus et la croix manuelle.
[4] C'est-à-dire qu'elle reçut le rason, manteau de chœur. Le rasophorat constitue une étape majeure vers la profession du microshème. Certains moines orientaux liés par des obligations extérieures au monastère, peuvent rester rasophores (porteurs du rason), toute leur vie.
[5] Le typicon (en grec : τυπικόν, typikon; pl. τυπικα, typika) est un livre liturgique qui contient les instructions d'un Ordre monastique
[6] Le mégaloschème, grand habit, n'est pris que par quelques moniales, en réponse à un appel à une vie plus retirée, avec une règle de vie ou canon particulier.

[7] Lettre de Noël, SB le Patriarche Grégoire III Laham