sábado, 24 de outubro de 2015

Lead Kindly Light! Conduz-me Luz terna!


Na beleza deste poema, encontramos a expressão comovida de um coração convertido.

A consciência viva e experimentada da presença de Deus na sua vida.

A confiança certa de que Deus pode o que não podemos nós.

Este pedido de que seja Deus a conduzir os meus passos, não é um simples desejo, mas antes a certeza de que Ele nos conduz se nós O deixarmos, se nós assim quisermos.

Este pedido está no coração de cada um de nós que se faz Peregrino. Este pedido Leva-nos mais longe!




Lead, kindly Light, amid th’encircling gloom, lead Thou me on!
The night is dark, and I am far from home; lead Thou me on!
Keep Thou my feet; I do not ask to see
The distant scene; one step enough for me.

I was not ever thus, nor prayed that Thou shouldst lead me on;
I loved to choose and see my path; but now lead Thou me on!
I loved the garish day, and, spite of fears,
Pride ruled my will. Remember not past years!

So long Thy power hath blest me, sure it still will lead me on.
O’er moor and fen, o’er crag and torrent, till the night is gone,
And with the morn those angel faces smile, which I
Have loved long since, and lost awhile!

Meantime, along the narrow rugged path, Thyself hast trod,
Lead, Savior, lead me home in childlike faith, home to my God.
To rest forever after earthly strife
In the calm light of everlasting life.

Beato Card. John Henry Newman



Conduz-me, Luz terna, pela escuridão que me envolve; conduz-me Tu!
É escura a noite e encontro-me longe de casa; conduz-me Tu!
Dirige Tu os meus pés; não peço para ver o destino distante;
Basta-me um passo.

Nem sempre fui assim, nem sempre Te pedi que me conduzisses;
Amava escolher e ver o meu caminho; mas agora conduz-me Tu!
Amei o dia brilhante e apesar dos meus medos, 
O orgulho definia a minha vontade.
Não Te recordes dos tempos passados!

Há tanto tempo que o Teu poder me abençoa,
que certamente me continuará a conduzir.
Pelos campos e pântanos, pelas falésias e torrentes, até a noite findar
E com a manhã essas caras de anjos sorriem,
Essas que há muito eu amo, mas que perdi por uns tempos!

Agora, pelo caminho estreito e encrespado que Tu proprio percorreste
Conduz-me, Salvador, conduz-me até casa pela fé como a das crianças, 
A casa do meu Deus.
Para sempre descansar após este suplício terreno
Na luz calma da vida eterna.

O Beato John Henry Newman

Permiti-me começar por recordar que Newman, segundo a sua narração, repercorreu o caminho de toda a sua vida à luz de uma poderosa experiência de conversão, que teve quando era jovem. Foi uma experiência imediata da verdade da Palavra de Deus, da realidade objectiva da revelação cristã, tal como fora transmitida na Igreja. Esta experiência religiosa e ao mesmo tempo intelectual, teria inspirado a sua vocação para ser ministro do Evangelho, o seu discernimento da fonte de ensinamento respeitável na Igreja de Deus e o seu zelo pela renovação da vida eclesial na fidelidade à tradição apostólica. No final da vida, Newman descreveu o seu trabalho como uma luta contra a tendência crescente a considerar a religião como um facto meramente privado e subjectivo, uma questão de opinião pessoal. Eis a primeira lição que podemos aprender da sua vida: nos nossos dias, quando um relativismo intelectual e moral ameaça enfraquecer os próprios fundamentos da nossa sociedade, Newman recorda-nos que, como homens e mulheres criados à imagem e semelhança de Deus, fomos criados para conhecer a verdade, para encontrar nela a nossa liberdade definitiva e o cumprimento das aspirações humanas mais profundas. Numa palavra, fomos criados para conhecer Cristo, que é Ele mesmo «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6).

SS Bento XVI
Vigília da Beatificação do Card. J H Newman

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